terça-feira, 27 de setembro de 2011

II Marketing em Debate



O "Quinto Discurso" convida todos os seus seguidores para participar dia 06.10 do II Marketing em Debate da Faculdade IBGM.



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Empregabilidade e Geração Y









Segundo dado da Staton Chase Internacional, cerca de 25% dos jovens da geração Y ocupam cargos de chefia no mundo. Por outro lado, em torno de 58% desistem dos programas trainees, conhecidos pelos seus rigorosos processos seletivos, depois de cumprir aproximadamente 50% do programa estabelecido pela empresa. Por outro lado, numa projeção feita pela mesma consultoria, diz que em 2025 cerca de 75% dos trabalhadores que estarão no mercado serão da geração Y, aqueles nascidos entre 1980 e 2000.

Podemos dizer que esse período será o de consolidação das competências e valores de uma geração, atuando quase que 100% de acordo com suas normas de comportamento, pautada principalmente na tecnologia e no funcionamento cooperativo em redes na internet. E a empregabilidade, como será a capacidade de ser manter desejável para o mercado de trabalho?

O LABY - Laboratório de Estudos sobre Gestão e Geração Y da Faculdade IBGM, que tem no seu público-aluno mais de 80% proveniente desta geração se pergunta: O que vai definir a empregabilidade dessa geração hoje e amanhã? É sobre essa questão que o LABY/IBGM realizará uma pesquisa de grande magnitude com o objetivo de responder essa questão. Em linhas gerais podemos levantar alguns itens que aumentam a empregabilidade e que vale para todas as gerações e que gostaríamos de compartilhar com vocês:

DICAS QUE AUMENTAM A EMPREGABILIDADE

Visão do negócio: se você trabalha num determinado segmento, aproveite para aprender tudo sobre o negócio, o mercado, os produtos, os serviços, isso ajudará a você se tornar um consultor no assunto ou quem sabe um empreendedor.

Formação acadêmica: indispensável, pesquisas apontadas pelo IBGE revelaram que as pessoas que investem em formação são percebidas como as melhores para receber promoção no trabalho.

Domínio de um segundo idioma: aprenda uma segunda língua que tenha ressonância no mercado. Não adianta estudar grego, apenas por estudar, deve-se fazer um link com o plano de carreira de cada um.

Rede de relacionamentos atualizada: informar para as pessoas que você está no mercado, através das redes sociais ou eventos. Lembre-se para se tornar intrusivo demais, enviando por exemplo, emails de correntes e outros assuntos desnecessário, ocasionando uma má impressão.

Experiência internacional: se tiver oportunidade de viajar, estudar ou outras atividades que aumente seu capital cultural aproveite para fazê-lo. Enrique sua cultura e seu vocabulário.

Leitura diária: busque informação diária nas redes sociais, jornais e revistas isso aumenta seu vocabulário o que dá margem para ser mais competitivo em entrevistas e dinâmicas de grupo.

Facilidade de adaptação em ambientes de mudanças constantes: estar disposto a mudar sempre, desde que bem avaliada a situação, como por exemplo uma promoção para morar noutro estado. Tem que pesar a oportunidade, remuneração e qualidade de vida.

Conhecer-se, saber falar de si e gerenciar seu próprio comportamento: correspondendo aos itens anteriores você terá mais facilidade em falar sobre você mesmo, por isso aproveite também os serviços de orientação profissional oferecidos por faculdades e empresas para você se conhecer mais e aprender a gerenciar seu próprio comportamento.



Prof. Jorge Gomes, Psicólogo, Mestre em Psicologia Clínica e Professor de Ética Empresarial e Comportamento Humano nas Organizações na Faculdade IBGM.
Coordenador do LABY
@jorgegomes_

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A qualidade de vida e discurso do mercado

INTRODUÇÃO

A qualidade de vida versa sobre diferentes matizes, dentre eles: a saúde no trabalho, os aspectos simbólicos da tarefa, a engenharia dos utensílios de trabalho e a fissura do reconhecimento e toda uma gama de programas que promovam a questão do bem-estar e aumente a produtividade do trabalhador.

 Recentemente, o discurso do mercado, aquele que emite imperativos de consumo para toda e qualquer pessoa que encontra-se na sociedade moderna, se apropriou desse conceito e usa para vender produtos e serviços.

TAREFA - ALUNOS DA PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO DE PESSOAS E LIDERANÇA

A partir dessa experiência de consumo baseada em bem-estar, apresente em poucas linhas algum produto ou serviço que você conhece ou assistiu a alguma campanha de marketing, tentando persuadir o consumidor a consumir bem-estar, prazer ou felicidade NA ÁREA DO BLOG - POSTAR UM COMENTÁRIOS:

Ao relatar o seu produto ou serviço e justificar a resposta, assine o comentário com seu nome:

Ex: Através da propaganda veiculada pelo Pão de Açucar a empresa vende através de elementos de bem-estar individual um conceito de felicidade. O bem-estar é passado através de atividades corriqueiras do dia-a-dia como " brincar com os filhos"; "ficar horas ao telefone com alguém que você gosta"; "contemplar o sol"; " se alimentar bem" e com isso subliminarmente eles vão vendendo os produtos através das imagens da loja, como espaço sem filas, fácil acesso aos produtos entre outros elementos.

Aluno: Jorge Gomes da S. Sobrinho



Prof. Jorge Gomes
www.twitter.com/jorgegommes
www.facebook.com/jorgegommes

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Caco Barcellos e as Lições sobre Empreendedorismo na Carreira



Caco Barcellos realizou no dia 24.02.11 no Centro de Convenções de Pernambuco a abertura oficial do semestre acadêmico da Faculdade IBGM. E através da sua história profissional podemos tirar diversas lições sobre o empreendedorismo na carreira. Durante muito tempo a atitude empreendedora esteve associada apenas aqueles que empreendem, abrem e dão continuidade a um negócio, mas com o advento da sociedade do conhecimento cada um é empreededor quando coloca suas competências a serviço do mercado. Hoje em dia é tamanha o espanto dos empresários com os jovens da geração Y que empreendem o tempo todo nas suas carreiras. O turnover (relação entre entrada e saida) numa empresa é algo normal nos dias atuais, fica na empresa com os talentos as empresas que souberem mantê-los motivados através de quatro eixos a saber: clima bom de trabalho, desafios, liderança transformacional e contra-partidas (reconhecimentos, carreira e benefícios). Sabe-se que um eixo pode ter força de retenção, mas não tem durabilidade. 
Ficou claro na palestra de Caco Barcellos que ele desenvolveu sua carreira praticamente numa empresa, mas ao relatar sua história percebe-se que ele sempre teve desenvolvimento na sua carreira mesmo estando numa mesma empresa, por isso os jovens da geração Y podem ficar tranquilos quanto ao ficar muito tempo numa mesma empresa, isso não tem nenhum demérito para carreira é preciso avaliar se os demais eixos estão atendendo suas necessidades. Vamos as lições do jornalista Caco Barcellos que podemos aplicar as nossas carreiras:

Primeira Lição: Não ceder aos próprios valores - através da sua história de vida podemos tirar diversos ensinamentos, ou seja, ele sempre percebeu os desafios - uma palavra bonita para problemas - uma oportunidade de aprender algo ou tirar alguma lição. Um dos valores que nortearam a vida dele foi a "transparência" herdada dos seus pais que se apresenta na sua competência com o compromisso com a verdade. Outro valor foi adotar uma postura de "aprendiz" o que revela no seu perfil uma curiosidade relativamente grande sobre os assuntos da vida. Então fica a pergunta: O que marcou suas experiências na infância sejam elas na escola, igreja, familia e amigos? Elas podem guardar mensagens fantásticas sobre o que você acredita, ou seja, valores.

Segunda Lição: Paixão pelo saber e o conhecimento - a curiosidade que ele tinha pelas histórias das pessoas fez com ele buscasse um entendimento maior das experiências humanas. Demonstrou que sempre gostou de ler, estudar e revelou que um dia sem perceber estava usando aquele conhecimento que ele aprendeu. O curso de primeiros socorros que ele fez na igreja usou um dia numa guerra para ajudar um soldado. Fica mais uma pergunta: Será que ser competente significa apenas aprender aquilo que nos interessa? Nesta lição a paixão pelo conhecimento pode nos fornecer um diferencial muito grande numa entrevista, numa conversa com alguém que pode nos ajudar a conseguir um emprego, enfim a oportunidade quando aparece você precisa estar preparado é a mensagem.

Terceira Lição: Seguir sua intuição - nem sempre a razão oferece as ferramentas para tomada de decisão. Caco ilustra bem quando no caso Pixote ele não fez de imediato uma reportagem sobre o acontecido. Ele esperou e depois fez uma entrevista sob o ponto de vista de quem estava sendo atacado. A intuição funciona como guia nas nossas decisões. Se Caco ao invés de guardar o dinheiro para investir no seu livro tivesse comprado logo a casa de praia, hoje ele teria a casa, mas não teria o livro dele na instante como ele mesmo falou. Fica a pergunta: Quanto de sua intuição você usa para tomar decisões? Faça uma análise sobre as decisões tomadas nos últimos meses.

Quarta Lição: Ter coragem para agir e mudar as coisas - em todos os exemplos usados na palestra Caco demonstrou coragem para tomar uma atitude, mas em todos os casos ele arcou com as consequências e em nenhum momento fugiu delas. Essa é uma caracteristica do empreendedor, assume risco com suas devidas responsabilidades, como aconteceu na reportagem em que ele entrou no apartamento do "Juiz Lalau" em Miami, mesmo na iminência de ser processado ele foi em frente. Mas a coragem também foi importante para enfrentar as dificuldades na vida e seguir em frente, assim como, os desafios na carreira quando se tornou correspondente internacional da Rede Globo e cobriu diversas guerras, segundo ele mais de 30.

Enfim, cada história de vida contém elementos que podem nos trazer a reflexão e quem sabe servir de inspiração para nossas carreiras. De fato cada um tem a sua própria história que está sendo escrita neste exato momento que você está lendo esse blog, mas cada uma é única e exclusiva onde só você pode reeditá-la, reescrevê-la, enfim mudá-la. Muito sucesso nessa viagem!

Jorge Gomes
Psicólogo e Especialista em Psicologia Clínica e Orientação de Carreira para Cargos Gerenciais. Professor de Liderança e Coordenador do LABY - Laboratório de Estudos sobre Gestão e Geração Y da Faculdade IBGM.

domingo, 28 de novembro de 2010

RECORTES DA ENTREVISTA - JIM COLLINS



Esta semana a Revista Veja ( 1/12/2010) publicou uma excelente entrevista com Jim Collins, um dos maiores pesquisadores sobre tendência de gestão no mundo e considerado o herdeiro direto de Peter Drucker. Nessa entrevista ele fala sobre: crise, empreendedorismo, Brasil, liderança e empresas que dão certo.

Autor de vários livros sobre management e mais recentemente escreveu "Como as gigantes caem", já vendeu mais de 6,5 milhões de livros ao longo da sua carreira e cobra 60.000 dólares por 45 minutos de palestra. Dos cerca de vintes convites que recebe para ministrar palestra, geralmente aceita um.

Aqui destaco as principais reflexões do autor na entrevista concebida a Revista Veja e que tem como objetivo refletirmos sobre o futuro do management.

1. SOBRE CRISE E CAPITALISMO

"Existem várias forças que contribuem para a instabilidade. O mundo está mais complexo e mais interdependente. As empresas não são as únicas forças globalizantes (p.21)."

"Temos ainda a marcha contínua da mudança tecnológica na medicina, na eletrônica, na bioengenharia, na computação, criando coisas que nem imaginamos (p.21)."

Sobre os empreendedores brasileiros ele disse "Fiquei impressionado com a naturalidade e o relativo conforto com que eles lidam com incerteza, tratando-a não como exceção. mas como um dado da vida (p.24)".

Ainda sobre o empreendedorismo brasileiro ele acrescenta... "mas o que me chamou atenção foi a RESILIÊNCIA deles, como se nunca entrassem em pânico... (p. 24)."

"A INCERTEZA É ESTRESSANTE, MAS NÃO PODE SER PARALISANTE (p.22)."

Finaliza essa parte dizendo "há outro aspecto relevante que faz Índia e Brasil sobressaírem no cenário mundial, a CRIATIVIDADE (p. 24)."

2. SOBRE EMPREENDEDORISMO & LIDERANÇA

"a autoconfiança [primeira característica do empreendedor] não deve ser confundida com a do Super-Homem... falo como sinônimo da FÉ INABALÁVEL de que as coisas vão dar certo, e não do sujeito que se julga capaz de superar qualquer obstáculo (p.25)."

"O Paradoxo de Stockdale [em homenagem ao oficial americano que passou anos em campos de concentração] nos ensina que, de um lado, é preciso ENCARAR OS FATOS, as DIFICULDADES, sem rodeios. Por outro lado, é preciso ter  FÉ ABSOLUTA, férrea, de que os obstáculos serão superados (p.25)."

"A autoconfiança é essa combinação de reconhecer a dureza da realidade e conjugá-la com uma fé de Churchill [ex-primeiro ministro do Reino Unido durante a segunda guerra mundial] (p. 25)."

Ele diz: empreendedores "não confunda sua empresa com seu produto. A maioria dos seus produtos não vai decolar, mas isso não deve selar o destino de sua empresa (p. 25)." Segue alguns exemplos:

A) A SONY - Logo depois da Segunda Guerra Mundial, em 1946, começou a funcionar nas ruínas de um prédio bombardeado em Tóquio, e seu primeiro produto foi uma panela elétrica para fazer arroz. Não deu certo, mas empresa seguiu em frente (p. 25)."

B) HEWLETT-PACKARD (HP) - Seus primeiros 08 (oito) produtos não funcionaram.

C) Os primeiros aviões da BOEING não foram bem sucedidos e, por um tempo, os funcionários tiveram de trabalhar fazendo móveis e não avião.

D) O primeiro filme do WALT DISNEY foi um fracasso.

"SEU PRODUTO PODE FRACASSAR, MAS NEM POR ISSO SUA EMPRESA SERÁ UM FRACASSO (p. 25)."

"Os melhores líderes empresariais se movem quase do mesmo modo que os artistas. Eles querem CRIAR, CONSTRUIR algo verdadeiramente excepcional, que tenha impacto no mundo (p. 25)."

"A CRIATIVIDADE serve para começar, mas, se o maluco criativo não tiver um lado de CONSTRUTOR, de ORGANIZADOR, ele ficará no meio do caminho (p. 25)."

"Sam Walton [ fundador do Wal Mart] dizia que "tinha personalidade de um promotor de vendas e de um criador, mas a alma de um operador (p. 25)"

"A habilidade de operar, de construir, de organizar um sistema é que o levou tão longe. Não se fala muito disso porque é chato, requer disciplina, paciência, esforço, mas essa é a verdadeira história do sucesso americano (p. 25)."

Fonte: Revista Veja - 1/12/2010.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Novas Figuras de Subjetivação

Joel Birman, psicanalista carioca e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro abordou ontem à noite (15.11) no programa "Invenção do Contemporâneo" as novas categorias subjetivas que marcam as nossas vidas.
O psicanalista usou duas categorias de fácil acessibilidade ao entendimento do que acontece no contemporâneo. A primeira foi a  PRESENÇA. O que é se apresenta aos nossos olhos na experiência subjetiva contemporânea?

1. CORPO: A apologia ao culto do corpo perfeito dá a impressão aos novos sujeitos a sensação de que sempre estamos devendo alguma coisa, isso impulsiona o sujeito a buscar sempre uma melhor performance corporal. Birman diz que na contemporaneidade a saúde é o nosso bem supremo, uma categoria cara ao filosófo Aristóteles. O crescimento das patologias psicossomáticas, onde o corpo é o teatro dos sintomas forma a gestão do corpo se torna fundamental para esse novo sujeito. Segundo o autor a Sindrome do Pânico é a doença corporal por excelência, onde podemos ser pegos pela iminência de morte como uma das prima dona do mal estar atual.

2. AÇÃO: As novas figuras contemporâneas aportam nas categorias da violência, agressividade, criminalidade e crueldade. A segunda grande prima dona é a compulsão sela ela pelo consumo de mercadorias, drogas, comida, trabalho e etc. O impulso para agir reflete o grau de angústia despertado pelo superego do sujeito.

3. SENTIMENTO: As variações de humor nas pessoas com elevados momentos de euforia e tristeza representa o caráter hiperbólico das novas psicopatologias e neste cenário a depressão é a neurose do século XXI diferente da histeria do século XX.

O autor então faz o fechamento do seu raciocínio com a categoria da AUSÊNCIA. O que está ausente no laço social contemporâneo?

1. LINGUAGEM: Segundo o autor as metáforas contemporâneas de movimento que apelam para fragmentação da vida, falta de unificação e intensidades sem controles é o reflexo da falta de mediadores simbólicos. No lugar da linguagem e da fala as pessoas agem, esse é o campo perfeito para compulsão, transtornos de humor e depressões.

Desta forma o resgate ou a manutenção da linguagem como meio de barrar os impulsos que se apresentam de forma violenta no corpo é uma estratégia saudável no processo de re-humanização do laço social.

Referência bibliográfica.

Birman, Joel (2010). Programa Invenção do Contemporâneo em 15.11.10.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

CULTURA ORGANIZACIONAL E O DESAFIO DO GESTOR DE RH

INTRODUÇÃO



O objetivo deste artigo é refletir sobre um dado de pesquisa apresentado no CONARH 2010 (Congresso Nacional de Recursos Humanos), que incidirá diretamente sobre a atuação do gestor de RH na cultura organizacional contemporânea. Considerado o maior evento de gestão de pessoas da América Latina o evento ocorreu entre os dias 17 e 20 de Agosto em São Paulo. A proposta não visa analisar a pesquisa apresentada no Congresso ou questionar a relevância sobre os dados das pesquisas apresentadas no evento que congrega um número elevado de estudos de casos e relatos de experiência sobre o tema. Nosso objetivo é refletir sobre o dado apresentado pelo Sr. Tony Santora, Diretor da Right Management a partir de uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria Manpower que informou que cerca de 62% das pessoas estão frustradas no seu atual trabalho. A partir do conceito de "principio de realidade" apresentado em 1911 por Sigmund Freud vou tentar realizar uma reflexão sobre a distorção do conceito de carreira e empresa ideal desejada pelos jovens trabalhadores brasileiros.


UM DADO QUE CHAMA A ATENÇÃO


Ao mesmo tempo em que Tony Santora apresentava os dados da pesquisa no CONARH, circulava nas redes sociais entre elas o Twitter a lista das empresas dos "sonhos" dos jovens brasileiros, resultado de uma pesquisa da consultoria DMRH, afiliada da CIA de Talentos, consultoria responsável pela seleção e coordenação dos maiores programas de Trainees do país. Segundo a consultoria, cerca de 35 mil jovens brasileiros responderam a pesquisa e elegeram em ordem de importância as empresas.



1. Google (Tecnologia)

2. Petrobrás (Energia)

3. Univeler (Higiene pessoal e cosméticos)

4. Vale (Minério)

5. Nestlé (Alimentos)

6. Natura (Cosméticos)

7. Itaú (Serviços financeiros)

8. Microsoft (Tecnologia)

9. Rede Globo (Entretenimento)

10. Ambev (Bebidas)


As cinco principais razões apresentadas pelos jovens brasileiros demonstram uma radiografia sobre as expectativas à respeito das políticas e cultura do ambiente organizacional desejado por eles. A razão mais comentada pelos jovens e que ficou em primeiro lugar na opinião deles é que uma empresa para ser admirada, antes de qualquer coisa deve ter "um ambiente agradável de trabalho", que valorize a camaradagem e a cordialidade entre as pessoas. É surpreendente esse relato, pois ele se apresenta como uma demanda de base primária e higiênica no ambiente organizacional, praticamente um fator existencial para que uma organização se mantenha em funcionamento numa cultura organizacional em que as relações são estabelecidas numa perspectiva de parceria e menos rigidez hierárquica. Em segundo lugar "a possibilidade de crescimento profissional”, o que demonstra que os jovens estão esperando das empresas investimento em treinamento e capacitação, tema que ficou em segundo plano desde que se adotou o conceito de que a carreira proteana em que cada um deve cuidar da sua carreira como um bem pessoal e que a responsabilidade por ela não pode ser transferida para ninguém inclusive a empresa.
 
Em terceiro aparece a "Qualidade de vida" que cada vez mais vem ganhando espaço na discussão das políticas de RH, exigindo das empresas a busca por alternativas singulares e menos massificadas nos programas de qualidade de vida. A flexibilidade com horários vem se apresentando como uma alternativa viável onde cada um pode administrar seu tempo para investir em aspectos profissionais, familiares e pessoais. Em quarto lugar o "crescimento profissional", em outras palavras os jovens desejam oportunidades de crescimento, mudança de cargo rápido e desafios para se manter na motivados e comprometidos nas empresas. Neste cenário as empresas buscam alternativas de planos de carreiras mais flexíveis, curtos e baseado na meritocracia. E em quinto lugar a empresa precisa ter uma "boa imagem no mercado", isso significa uma preocupação com a reputação da marca e o seu posicionamento no mercado, principalmente hoje quando a empresa exige dos colaboradores que expressem através das suas atitudes a cultura da empresa que também não espera mais lealdade a longo prazo, mas comprometimento e engajamento enquanto estiver na organização.


No outro pólo, temos o dado de uma pesquisa realizada pela Manpower e divulgado por Tavora (2010) no CONARH que diz que 62% dos brasileiros não se sentem engajados e sim frustrados nas suas empresas e mais de 50% dos pesquisados disseram que estão se preparando para deixar suas atuais empresas. É um dado alarmante se pensarmos na evolução das práticas de gestão das empresas nos últimos 20 anos e a atuação dos profissionais de RH que realizaram mudança no seu perfil profissional para atender as novas exigências do mercado. Hoje esses profissionais trabalham em rede fazendo parcerias com outras empresas e tem uma forte atuação regional através das ABRHs (Associação Brasileira de Recursos Humanos) com representantes em praticamente todos os estados brasileiros. Diante desse dado me pergunto: Com tantos avanços nos modelos de gestão teríamos esquecidos do lado humano nas organizações? Qual o papel do profissional de RH na contribuição desse dado? Qual a nossa parcela de responsabilidade? O que estamos fazendo para reverter esse dado? Será que estes dados confirmam a realidade? Ou precisamos analisá-los com mais cuidado?

 
MUDANÇA DE REGISTRO ORGANIZACIONAL

Jacques Lacan, psicanalista francês, desenvolveu o conceito de Real para dar suporte a sua teoria topológica e minimizar a influencia do imaginário na sua clínica. O Real não se trata da realidade, mas contemporaneamente se apresenta como aquilo que nos deixa numa "saia justa", que não foi possível passar pelo crivo da linguagem, da explicação. Nas organizações complexas ele se apresenta como aquilo que é da ordem do contingencial, da surpresa e do novo que aparece de repente, principalmente na forma dos “mal entendidos” e que num primeiro momento cria um estado de torpor e paralisia. Geralmente, na seqüência nosso aparelho psíquico se coloca em atividade para dar conta do fenômeno. Dessa forma, num ambiente organizacional marcado por crises, esses eventos tenderão a ocorrer com mais freqüência no nosso cotidiano marcando as organizações como um conjunto de práticas subjetivas num ambiente caórdico. Com um mix de caos e ordem as estruturas de gestão se movem numa dança dialógica onde crenças, premissas e teorias são continuamente reescritas para promover uma nova cultura organizacional.

Fink (1998) vai dizer que o desafio da psicanálise lacaniana "é o de inventar formas de atingir o real (p.118)." Isso significa que nosso impulso deve ser o de fazer algo com o contingencial e não nos curvarmos diante do dado, frio e racional, mas dialetizá-lo promovendo novos arranjos como, soluções inventivas e novas especulações sobre o tema, sempre numa perspectiva aberta sem fechamento da questão. Por outro lado, me questiono se neste momento de tantas euforias e rupturas paradigmáticas não estaríamos, através das lentes da publicidade, nos deixando influenciar por uma nova ideologia sobre o funcionamento de como deveria ser a empresa dos sonhos.


É recorrente ouvir em entrevistas de trabalho ou desligamento razões que chamo de "mínimas" para se pedir demissão ou mudar de emprego. Algumas mais comuns são: "meu chefe não gosta de mim"; "meu chefe falou num tom de voz um pouco alterado comigo"; "meu gerente não dá bom-dia quando chega na empresa"; "a empresa está crescendo, mas não vejo oportunidades para mim"; "minha empresa é desorganizada" entre outras. Me parece que um dos efeitos da publicidade é apresentar as empresas "sem falhas", como se em todas as organizações elas não sofressem do efeito do principio de realidade, que acolhe o "ponto de melhoria", "o ponto fraco", "o mal entendido", " a falha na comunicação" entre outras coisas que fazem parte da dialética do negativo na vida organizacional. Ao pensar que a ordem organizacional é feita apenas de "prazer" como ocorre nos "sonhos", quando este não é um pesadelo, qualquer possibilidade de desprazer se transforma numa razão para se pedir demissão. Este artigo não visa fazer apologia as práticas "ruins" de Recursos Humanos, nem aceitá-las passivamente, mas criar possibilidades de analisar o que está acontecendo e dar o seu devido peso no cenário contemporâneo.


Quando Freud ressignificou o conceito de "Princípio de Realidade" em 1911 ele estava preocupado também com o progresso da sua ciência. Ao solicitar aos seus pacientes que falassem tudo que viesse a cabeça, poderia abrir uma janela para pensar que a vida significa exatamente isso: falar e fazer o que deseja. Quando Lacan diz que não devemos ceder ao nosso desejo, ele não está dizendo que devemos fazer tudo que desejamos, mas sim deixar uma janela aberta para "falta" para que a partir dela possamos inventar e criar. Por isso, podemos estar na contemporaneidade com uma transição do princípio de realidade freudiano que segundo Laplanche e Pontalis (1992) trata-se de:


 
um principio regulador do funcionamento psíquico, aparece secundariamente como uma modificação do principio de prazer, que começa por ser único soberano; a sua instauração corresponde a uma série de adaptações que o aparelho psíquico tem que sofrer para : desenvolver as funções conscientes, atenção, juízo, memória (p.368).

Esse processo vai gradativamente substituindo o principio de prazer pelo principio de realidade, onde o sujeito deve encontrar satisfação no teste da realidade, abandonando as fantasias e as colagens imaginárias que muito bem produzidas pela publicidade podem nos confundir nos momentos de realizar um julgamento. A falta como meio estruturante é encontrada entre a colisão do principio de realidade e o principio de prazer. Quando o objeto de desejo não encontra uma relação simétrica com a realidade o sujeito tende a fugir, movimento hoje em dia muito comum entre os jovens trabalhadores. É por isso que os profissionais são convocados a dar uma contribuição no ambiente organizacional, mobilizando suas habilidades, crenças e valores para escrever uma nova cultura nas organizações. Para assegurar o principio de realidade como ferramenta nas organizações é importante que o profissional de Recursos Humanos se engaje no processo de construção de novas janelas de oportunidades nas empresas.

 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 
É inegável que a nova geração de trabalhadores está escrevendo um capítulo a parte na história do trabalho contemporâneo, mas é imprescindível que os gestores e a área de Recursos Humanos estejam alinhados aos anseios desses jovens. Por outro lado, as gerações anteriores tem o desafio de transmitir valores importantes para o amadurecimento psíquico das atuações gerações tais como a "paciência histórica", fruto do trabalho de elaboração nos processos de subjetivação, que irão formar os atuais e futuros profissionais. A área de RH deve permanecer alerta aos movimentos do Real, que surge onde menos se espera e nos convoca a dar respostas, sempre novas e inventivas para problemas que às vezes parecerem tão primários como "ambiente de trabalho cordial". Talvez devêssemos voltar aos fundamentos das escolas humanizadoras de RH e refletir sobre valores tais como: cuidado e atenção no processo de crescimento e amadurecimento profissional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Fink, Bruce (1998). O sujeito lacaniano: entre a linguagem e o gozo. Jorge Zahar Editores, São Paulo.
Laplanche, Jean e Pontalis, Jean-Bertrand (1992). Vocabulário de Psicanálise. Martins Fontes, São Paulo.
Artigo: Nova forma de pensar acesso dia 18.08.2010 (http://revistamelhor.uol.com.br/)
Artigo: 10 empresas e líderes dos sonhos dos jovens brasileiros acesso dia 18.08.2010 (http://www.administradores.com.br/)
*Jorge Gomes, psicólogo, analista organizacional e professor titular de comportamento humano nas organizações na Faculdade IBGM. Mestrando em Psicologia Clínica pela Universidade Católica de Pernambuco.